* Vídeo de divulgação da linha mais popular do estilista, vendida pela Net-a-Porter
Três coisas sobre beleza que mais gostei nos últimos tempos: 1) Os cabelinhos arrumados, batizados pela Vic Ceridono de "cabelo sumido", bem juntinho da cabeça, molhado ou não. 2) A substituição da base por hidratantes potentes e o mágico Beauty Balm (o famoso BB Cream, que a MAC trouxe ao Brasil por R$ 147 – uma mistura de primer e iluminador que disfarça as imperfeições deixando a pele com aspecto bem natural). 3) Boca vermelha com o mix do Russein Red e Ruby Woo (MAC).
Os cabelinhos sumidos, já uso há muito tempo. É prático e bonitinho. O BB Cream ainda não usei, porque ainda estou apegada ao Studio Fix, mas logo logo vou investir, e os batons vermelhos já usava os dois separados, mas desde que a Vic falou sobre isso no twitter, após um dos desfiles da SPFW, resolvi experimentar e foi uma surpresa muito boa. A fixação da mistura dura muito mais. Passei primeiro o Russein Red, que é mais intenso e tem um pouco mais de brilho, depois cobri com o Ruby Woo, que deu acabamento mate e amenizou a cor. Gostei muito mesmo.

A Vic Ceridono falou aqui sobre os "cabelos sumidos". Praticidade no dia a dia sem igual! Keira Knightley aderiu e ficou linda.

A Vogue mostrou que, nos bastidores dos desfiles, os profissionais de maquiagem já substituem as bases pelo BB Cream: veja aqui . Foto: Antonia Petta

Mistura do Rubt Woo com o Russein Red dá certo e a fixação é maravilhosa. Eu adorei! Foto: André Fernandes
"Vivemos uma época na qual a falta de identidade se torna a própria identidade, a ausência de estilo transforma-se no próprio estilo e a perda ou excesso de referências é a própria referência. É a simultaneidade do tudo e do nada".
(João Braga – Esilista e Professor de História da Moda, História da Arte e Cultura de Moda da FAAP)

Ao ler a frase do professor João Braga, um dos melhores e mais intensos pensadores de moda no Brasil, comecei a lembrar de coisas soltas que tenho lido e ouvido aqui e acolá sobre o atual momento da moda brasileira. Nos últimos dias, acompanhamos uma variedade de marcas desfilando suas coleções nas semanas de moda carioca e paulista e me causaram estranheza comentários de pessoas que lidam com o tema há mais de 20 anos ao dizerem que, além do show na passarela, nenhuma grande novidade foi mostrada. O que foi visto até agora é mais do mesmo.
Na semana passada, Jamil Moreira Castro, um jornalista muitíssimo conceituado com grande experiência em eventos de moda dos mais importantes, comentou em seu perfil do Facebook a falta de emoção, de propostas inusitadas, das marcas que desfilam. Concordo com ele, assim também como concordou Roberto Pires, um outro jornalista de moda aqui de Salvador, reconhecido pelo seu trabalho no segmento há anos.
Esta semana, li também uma postagem no Twitter da designer Liana Barros, da marca Intuitif, afirmando que hoje em seus favoritos já existem mais links de sites de decoração do que de moda. E em entrevista ao GNT Fashion da última segunda, a estilista Glória Coelho, preferiu não responder à pergunta de Lilian Pacce sobre as propostas fortes que vão "pegar" no inverno.
Paro e penso: O que está acontecendo na moda brasileira? Que momento é este?
As marcas se repetem, existe mega negociação nos bastidores comandada pelos titãs da moda para reunificar os eventos no Rio de Janeiro, são milhões e milhões envolvidos em cada edição (que traz estéticas e estruturas físicas extraordinárias) e nas passarelas nada além de uma miscelânea que não sobrevive nem mais a uma estação inteira? É bom lembrar que se antes tínhamos Primavera-Verão e Outono-Inverno, hoje, temos lançamentos de quatro ou seis coleções por ano de cada marca, uma corrida insana, que torna tudo veloz, descartavel e menos impactante, porque não existe gênio que consiga produzir coleções fantásticas de dois em dois meses.
Sim, os bastidores da moda também são feitos dessas pequenas crueldades. Não foi à toa que criadores como Jum Nakao e Ronaldo Fraga pediram um tempo disso tudo. Pena para nós que perdemos verdadeiras oportunidades de reflexão a partir de suas inquietações!
E a falta de inquietação não está só nas passarelas. Está também nas cobeturas. Infelizmente, abro jornais, revistas, visito sites e blogs, acompanho as reportagens na TV e vejo tudo igual. Leio textos que transcrevem os mesmos releases, que abordam os mesmos aspectos, que se importam mais com as celebridades que passaram pelos eventos do que com o que foi apresentado. Até os blogs, que poderiam exercer um olhar mais inusitado de todo o universo, pois teoricamente são mais livres, perdem a oportunidade, porque é mais importante mostrar o look do dia. Gostaria de ver mais do que isso, não só nas semanas de moda, mas no dia a dia.
Para completar essa reflexão de hoje, deixo aqui as palavras de João Braga*:
"O que choca nos nossos dias? O que leva um tempo para ser aceito, por ser tão arrojado e/ou diferente? Praticamente nada! Será que a produção cultural, principalmente da moda, é nova? Ou será que não seria mera novidade? Não quero, com isso, decretar o fim da criatividade, mas, sim, tentar enxergar um padrão que nos traga novos paradigmas"
* Livro: Refexões sobre Moda, vl 1, 2ª edição – Ed. Anhembi Morumbi
