Ela é mineira, formada em História e desde sempre apaixonada por bolsas, como toda mulher. A designer Janaína Machado descobriu o Simplesmente Elegante e mandou o link do site dela (www.janainamachado.com), conheci e adorei o trabalho, vendido pela internet basicamente, e, claro, não poderia guardar essa boa surpresa só para mim. Então, além de ver as bolsas que Janaina produz, aqui você pode conhecer um pouco da história dessa mineirinha talentosa. Depois é só passar lá no site da estilista, escolher seu modelo e sair desfilando toda bonita por aí com uma de suas lindas bolsas.
Simplesmente Elegante – Como surgiu essa paixão por bolsas, já que sua formação é História?
Janaina Machado - Assim como a maioria das mulheres sou uma consumidora voraz de bolsas! Sempre gostei dos modelos molengas, porque passei muito tempo da minha vida estudando e lecionando e precisava de bolsas bem práticas. Também tem a ver com meu jeito de ser, sou muito básica no dia-a-dia, gosto de acessórios poderosos apenas à noite. Mas, não sou colecionadora, quando enjôo, acabo doando e renovando com outras peças. A atividade de confeccioná-las nada tem a ver com a minha formação acadêmica diretamente. Mas, quando reflito sobre o quanto gosto de pesquisar, admiro arte e interesso-me pela “origem das coisas” vejo que meus interesses convergem para apreciação da arte e do artesanato, que exige curiosidade, criatividade e sensibilidade, habilidades também exigidas a um historiador. Por outro lado, acho que o ser humano é riquíssimo em termos de capacidade para desenvolver várias atividades, digo, às vezes, que gostaria de viver uns 200 anos para fazer todos os cursos de meu interesse e experimentar um pouco mais do que a vida nos oferece.m, entostei dos modelos molengas, porque passei muito tempo da minha vida estudando e lecionando tamb
SE – Quais são suas inspirações para os desenhos e modelos? Tem muita pesquisa ou é só intuição feminina?
JM – Assino revistas, compro livros, vasculho a internet, devoro vitrines e catálogos de moda. Mas, na hora de criar as peças meu lado “menina romântica” ainda fala mais alto e acho que hoje meu trabalho tem a cara da juventude. Descubro diariamente o quanto gosto de estampas coloridas e, às vezes, até com temas infantis. Acredito que por este motivo, tive uma peça publicada na Revista Atrevida deste mês, voltada para um público bem jovem. Mas, meu sonho mesmo é criar minhas próprias estampas, no caso digitais, sei que existe um caminho árduo para isto, os custos são altos e muitas marcas famosas acabam desenvolvendo suas estampas fora do país, pela disponibilidade e maior viabilidade. Admiro muito as criações dos vestidos de Adriana Barra, por causa da mistura de cores e estampas fabulosas, das criações do estilista mineiro Ronaldo Fraga, suas peças são muito ousadas e as estampas muito próximas das que gostaria de criar, e da marca Farm que usa e abusa da criatividade na escolha de estampas bem joviais e coloridas. Fiz um curso de estamparia artesanal com um professor estilista maravilhoso, o Paulo André, aqui em Belo Horizonte, e tive contato com uma infinidade de estampas que podem ser criadas artesanalmente. É impossível ser repetitivo nesta arte, mas, ainda estou em fase de testes, e o trabalho exige espaço para as criações, além de muito erro e acerto até se chegar ao que quer. O curso de modelagem de Bolsas, concluído no ano passado, também me ajudou muito porque conheci pessoas que trabalham com a confecção de bolsas há anos, e passei a me sentir mais segura para modelar peças. E não posso deixar de falar das clientes que também contribuem para que peças novas apareçam, pois, elas geralmente sugerem cores e temas, assim como os modelos que desejam. No entanto, pretendo estudar mais sobre criação de moda e de coleção e começar a criar as peças agregando este tipo de informação, e claro, manter a criatividade e a sensibilidade sempre.
Bolsa Alternative Cats
SE – Suas bolsas têm estampas lindas. Como é sua pesquisa?
JM – Como já adiantei tenho uma queda por temas românticos e infantis, gosto de cores, e passo dias selecionando estampas até comprá-las. Tornei-me compulsiva por tecidos e estou sempre procurando novas lojas. A criação da peça tem muito a ver com a estampa, daí é preciso ter sensibilidade, nem tudo vai bem com uma determinada estampa. No meu estoque tem estampas adquiridas há mais de um ano! Mas, só faço a peça quando tenho vontade e acho que chegou a hora dela nascer. Também tenho convivido com outro problema, a dificuldade de encontrar costureiras, isto tem feito meu estoque de estampas aumentar, pois, não consigo suprir a demanda de encomendas e muitas criações/projetos estão há meses no papel.
SE – Qual o perfil de mulher que usa seus modelos?
JM – São, na maioria, estudantes universitárias. É incrível como consigo identificar este perfil na maioria das clientes. Como minhas vendas são 95% pela internet, atendo virtualmente os pedidos, conversamos e elas acabam contando o que fazem e pra que precisam da bolsa. Já vendi para estudantes de Jornalismo, Arqueologia, Direito, História, e outros, o interessante é que são pessoas ligadas a cursos e profissões voltados para as ciências humanas. Sem sombra de dúvida, são mulheres capazes de admirar o artesanato. Infelizmente, acho que no nosso país falta uma valorização maior do que é feito manualmente. O meu estado, Minas Gerais, é riquíssimo em artesanato feito com os materiais mais incríveis que se possa imaginar, mas, acho que o mineiro acaba ainda não dando muito valor. Penso até que este seria um bom tema para pesquisa! Ainda sobre as clientes, elas compram de diversos estados do país, já vendi para pessoas do Amapá ao Rio Grande do Sul.
Bolsa de mão Red Music
SE – Como é sua produção? Você faz tudo sozinha ou tem pessoas que te ajudam na confecção das peças?
JM - Estou cheia de planos e expectativas porque não dá mais para produzir sozinha. Já tive esporadicamente ajuda de costureiras. No fim do ano foi inevitável. Mas, não encontrei ainda costureiras que pudessem me ajudar regularmente. Ainda divido minha produção com atividades extras como a realização de cursos, estou sempre pensando no seguinte antes de terminar o anterior. Já fiz os cursos já mencionados de estamparia e modelagem de bolsas, e ainda de pintura e patchwork, e estou cogitando seriamente ingressar na Escola de Estilismo da Universidade Federal de Minas, para isto preciso me preparar com um curso de desenho de Moda.
SE – Além do site, as pessoas podem comprar suas peças em outros lugares? Onde?
JM - Tenho um ateliê em minha casa, aliás, mudei recentemente porque precisava de mais espaço. Aqui recebo especialmente amigos que desejam comprar, mas ainda não tenho um espaço para receber clientes. Já fiz entregas pessoalmente aqui na minha cidade, mas, as vendas são em pesos virtuais. Também moro em Belo Horizonte há pouco tempo e minha rede de contatos está crescendo agora. Há clientes que já fizeram várias compras, sempre escolhendo itens novos e recebendo pelos correios. Essa resposta é positiva e me anima já que elas vêem o produto apenas quando ele chega! Mais recentemente, duas lojas, uma em Teresina e outra em Curitiba, estão revendendo algumas das minhas peças.
Estojo Acqua
SE – Como designer, o que você acha que uma bolsa tem que ter para apaixonar uma mulher?
JM – Detalhes diferenciados como um pingente, um enfeite como uma flor ou um tag, uma fita ou um laço, a própria textura do material e sua proposta. A mulher é sensível por natureza, e detalhista também, então ela procura por uma estampa e um modelo que lhe sejam familiares, mas, também por um detalhe que a cative.
SE – A bolsa é o mundo de toda mulher. Cada uma carrega tudo o que mais estima dentro dela, e você? O que vai dentro da sua bolsa?
JM - Em cada uma das que tenho há realmente um mundo de coisas, e sempre me atrapalho com isso! Eu guardo muito papel, mania de quando ainda era criança. Este hábito vem me acompanhando e explica um pouco porque gosto de papéis antigos! (rs). Mas, é claro que estou sempre fazendo aquela “faxina” de dentro delas. Tenho três agendas e vários blocos de anotações e um monte de papelzinho com anotações de telefones, endereços, etc, tudo espalhado por várias bolsas! Mas, tem sempre uma nécessaire com gloss e um rímel, um livro ou uma revista, porque estou sempre lendo em filas e onde mais tenha que esperar.
Bolsa Berry
SE – Em termos de tendências e bolsas, o que está em alta para esse inverno e o que vai ser o forte para o verão?
JM - Nosso inverno está cada vez mais alegre e isto é ótimo! Além disto, os lenços, laços e flores estão presentes nas roupas que enfeitam também as bolsas. Detalhes metálicos e tamanhos fartos, além de verniz e tricô ainda circulam nesta estação. No entanto, li recentemente que para o verão as maxi-bolsas vão sair de cena, e as bolsas médias vão ter mais espaço entre as mulheres. Particularmente, acato essa tendência porque não sou muito adepta de bolsas enormes. Uma outra tendência são as carteiras, com várias texturas e, de preferência, as maiores. Também adoro a idéia porque as considero um acessório poderoso e muito feminino.
Bolsa Chess Cherry
Bolsa de mão Models
Carteira Back Retrô com fecho em ouro velho
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