No momento em que duas marcas de estilo e conceito se unem, o resultado só pode ser positivo e de sucesso. Foi assim que aconteceu durante o desfile da Auslânder, no Fashion Rio, quando os modelos entraram na passarela mostrando as propostas da coleção para o Outono-Inverno 2012 e trazendo no pulso o colorido dos relógios Ice-Watch. Sem dúvida, a escolha de cada peça casou super bem com as produções e eu fiquei todo orgulhosa quando vi a Yasmin Brunet desfilando com um relógio nude igualzinho ao meu, afinal, é muita beleza, né gente? A coleção da Ausländer - casual, urbana e moderna - unida aos modelos da Ice, nossa parceira aqui no SE, causou puro desejo. Já sou fã das t-shirts da Ausländer, que, por sinal, são encontradas (além de outras peças!), em Salvador, na Boutique Jezebel, que fica no Rio Vermelho. Vale lembrar também que os modelos Ice-Watch podem ser adquiridos no L1 do Salvador Shopping e estão com preços e descontos especiais, este mês. Agora curtam as fotos do backstage e do show:
Se você gosta de acessórios luxuosos, com cores, design e estilo, precisa conhecer a coleção de Outono-Inverno 2012 da Francesca Romana Diana, que acabou de ser apresentada no Senac Rio Fashion Business. Nesta estação, a marca faz uma homenagem à história da joalheria italiana com La Dolce Vita, que é, na verdade, o nome de famoso filme italiano. Por trás do título está o conceito: a natural inclinação italiana ao bem-viver com a valorização da arte, da cultura, da beleza, da gastronomia, como as verdadeiras coisas boas da vida. O design traz referência às joias antigas, desde o Império Romano até às criações de marcas como a Bulgari.
"Vivemos uma época na qual a falta de identidade se torna a própria identidade, a ausência de estilo transforma-se no próprio estilo e a perda ou excesso de referências é a própria referência. É a simultaneidade do tudo e do nada".
(João Braga – Esilista e Professor de História da Moda, História da Arte e Cultura de Moda da FAAP)

Ao ler a frase do professor João Braga, um dos melhores e mais intensos pensadores de moda no Brasil, comecei a lembrar de coisas soltas que tenho lido e ouvido aqui e acolá sobre o atual momento da moda brasileira. Nos últimos dias, acompanhamos uma variedade de marcas desfilando suas coleções nas semanas de moda carioca e paulista e me causaram estranheza comentários de pessoas que lidam com o tema há mais de 20 anos ao dizerem que, além do show na passarela, nenhuma grande novidade foi mostrada. O que foi visto até agora é mais do mesmo.
Na semana passada, Jamil Moreira Castro, um jornalista muitíssimo conceituado com grande experiência em eventos de moda dos mais importantes, comentou em seu perfil do Facebook a falta de emoção, de propostas inusitadas, das marcas que desfilam. Concordo com ele, assim também como concordou Roberto Pires, um outro jornalista de moda aqui de Salvador, reconhecido pelo seu trabalho no segmento há anos.
Esta semana, li também uma postagem no Twitter da designer Liana Barros, da marca Intuitif, afirmando que hoje em seus favoritos já existem mais links de sites de decoração do que de moda. E em entrevista ao GNT Fashion da última segunda, a estilista Glória Coelho, preferiu não responder à pergunta de Lilian Pacce sobre as propostas fortes que vão "pegar" no inverno.
Paro e penso: O que está acontecendo na moda brasileira? Que momento é este?
As marcas se repetem, existe mega negociação nos bastidores comandada pelos titãs da moda para reunificar os eventos no Rio de Janeiro, são milhões e milhões envolvidos em cada edição (que traz estéticas e estruturas físicas extraordinárias) e nas passarelas nada além de uma miscelânea que não sobrevive nem mais a uma estação inteira? É bom lembrar que se antes tínhamos Primavera-Verão e Outono-Inverno, hoje, temos lançamentos de quatro ou seis coleções por ano de cada marca, uma corrida insana, que torna tudo veloz, descartavel e menos impactante, porque não existe gênio que consiga produzir coleções fantásticas de dois em dois meses.
Sim, os bastidores da moda também são feitos dessas pequenas crueldades. Não foi à toa que criadores como Jum Nakao e Ronaldo Fraga pediram um tempo disso tudo. Pena para nós que perdemos verdadeiras oportunidades de reflexão a partir de suas inquietações!
E a falta de inquietação não está só nas passarelas. Está também nas cobeturas. Infelizmente, abro jornais, revistas, visito sites e blogs, acompanho as reportagens na TV e vejo tudo igual. Leio textos que transcrevem os mesmos releases, que abordam os mesmos aspectos, que se importam mais com as celebridades que passaram pelos eventos do que com o que foi apresentado. Até os blogs, que poderiam exercer um olhar mais inusitado de todo o universo, pois teoricamente são mais livres, perdem a oportunidade, porque é mais importante mostrar o look do dia. Gostaria de ver mais do que isso, não só nas semanas de moda, mas no dia a dia.
Para completar essa reflexão de hoje, deixo aqui as palavras de João Braga*:
"O que choca nos nossos dias? O que leva um tempo para ser aceito, por ser tão arrojado e/ou diferente? Praticamente nada! Será que a produção cultural, principalmente da moda, é nova? Ou será que não seria mera novidade? Não quero, com isso, decretar o fim da criatividade, mas, sim, tentar enxergar um padrão que nos traga novos paradigmas"
* Livro: Refexões sobre Moda, vl 1, 2ª edição – Ed. Anhembi Morumbi
Tweeds e pérolas misturadas às influências indianas compõem a coleção de pré-outono/inverno 2012 da Chanel. O desfile foi apresentado esta semana no Grand Palais, em Paris, e surpreendeu o mundo da moda. Os fashionistas cometam as criações de Karl Lagerfeld pelos quatro cantos do mundo e todos os comentários são unânimes nos elogios. De fato, uma bela coleção. Riqueza de detalhes, muito brilho, prata e ouro branco dão o tom nos acessórios de cabelos, piercings, bolsas pequenas transpassadas, peças suntuosas, olhos marcadíssimos no make, tudo como manda o figurino indiano – literalmente.
Essa proposta de Lagerfed tem, pelo menos para mim, dois lados. Primeiro: é ótimo ver que uma marca tradicional e luxuosa como a Chanel tem buscado acompanhar o que acontece pelo mundo afora e muito além das paredes de sua maison. Mesclar as referências eternas de madame Coco Chanel com outras referências culturais e de estilo é, sem dúvida, uma ousadia salutar. Dois: A ostentação indiana, o que carrega muita beleza, parece ter "engolido" a sofisticação (bela em sua simplicidade) proposta por Chanel (ela, a criadora). Mas essa, reforço, é a minha impressão através de fotos.
Sei bem que o momento cultural, social e fashion é outro e muito diferente de quando a própria Chanel criava suas coleções. Mas ver essa coleção no momento em que estou lendo o livro O Evangelho de Coco Chanel, de Karen Karlo, no qual a autora define as criações da marca de Chanel-Chanel e a atual Chanel-Lagerfeld – esta como se fosse uma releitura da marca. O fato é que sempre ouvimos e lemos sobre o conceito de moda para Chanel: "simplicidae equiparada à elegância". E agora vem Lagerfeld mostrando a proposta de sua Chanel!
Ainda em seu livro, Karen Karlo destacou uma exortação de Coco Chanel: "Nada faz uma mulher parecer mais velha do que o gasto óbvio e a complicação". Por outro lado, me pergunto: será que a própria Chanel, tão transgressora e contra as regras, não faria também essas experimentações com sua marca? Para nós tudo isso apresentado por Lagerfeld pode não parecer Chanel, algumas vezes. À primeira vista, pode parecer uma descaracterização do conceito da grife, mas como será Coco faria hoje?
Que fique bem claro: o que estou fazendo aqui são reflexões e compartilhando com vocês questões que surgiram na minha cabeça ao ler o livro de Karlo e ver o desfile, mas não estou colocando na roda a genialidade de Lagerfeld. Tenho algumas opiniões e muitas curiosidades, mas a única certeza fechada é que hoje na moda tudo caminha na seara das possibilidades. Não é isso ou aquilo. Pode ser isso e aquilo. Tudo é mutante e se transforma, inclusive a Chanel – embora seus ícones estejam presentes sempre. O que se mostra diferente sempre provoca reflexões e essa coleção fez isso.
