Um dos desfiles mais esperados na São Paulo Fashion Week para mim é o da Osklen. A marca de Oskar Metsavath se reiventa a cada estação e sempre traz uma coleção que não se encerra nas “tendências” do momento, mas apresenta peças que podem ser usadas por muito tempo. Gosto muito disso.
Dessa vez, a grife carioca mais desejo do Brasil levou para a passarela uma coleção inspirada no incêndio que atingiu o atelier e destruiu dez anos de história. Pois é, das cinzas, Oskar tirou inspiração e criou releituras de clássicos de toda a trajetória Osklen. Estão nessa coleção os coloridos vivos, a alfataria limpa e seca, as formas confortáveis, enfim, o DNA da marca, sempre bom de ver e vestir.
Achei uma coleção coerente com o que significa a Osklen, com a proposta de reiventar seus próprios clássicos, e, claro, com o lifestyle carioca que pode ser replicado para o resto do Brasil em um inverno mais confortável do que rigoroso.
Alfataria limpa, com modelagens mais secas e um ar totalmente jovial, porém, não menos elegante! Olha abaixo a beleza dos acessórios. São peças que não passam e podem durar muito no guarda-roupa de quem resolver investir nas peças. Sem dúvida, uma coleção bem expressiva na história na marca.
Uma das coisas mais importantes dessa edição da São Paulo Fashion Week, que acontece no prédio da Bienal, é a presença da top Lea T, na minha opinião. As coleções estão muito boas, porém, a modelo, que é uma das mais comentadas da temporada por conta da sua condição transexual, traz uma questão de relevância: o respeito às diferenças e a liberdade de cada pessoa poder viver sua sexualidade da forma mais confortável. Acho tão digno a maneira como Lea trata a questão, falando abertamente sobre os problemas que já enfrentou e a prepação para a mudança de sexo. Não deve ser nada fácil ter o nome masculino nos docuemntos, conviver com o órgão masculino, sendo essencialmente feminina. Ela é muito corajosa e mais: é elegante, fina, bem-educada e profissional. Admiro a postura de Lea T, hoje, garota que representa a marca Givenchy, que é bom lembrar vestia a diva Audrey Hepburn. Espero que Lea faça a mudança e que tenha longa carreira na passarela e fora dela, porque ela é um ícone de elegância. Adorei vê-la no desfile da coleção feminina do Alexandre Herchcovith.